Centro de terapias para pessoas com TEA está previsto para funcionar no segundo semestre deste ano

por Juliana Teixeira de Melo publicado 26/03/2026 11h45, última modificação 26/03/2026 11h45

Na audiência pública realizada na noite desta quarta-feira (26), sobre as políticas públicas que o Município de Timóteo oferece, atualmente, para crianças e adolescentes com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), ficou clara e urgente a demanda reprimida por atendimento para essa parte da população. O centro de terapias (NATEA), um anseio dessas famílias atípicas, está em fase de reforma do imóvel onde ele vai funcionar e, de acordo com a secretária de Saúde, Érica Ferreira, a previsão é que comece a receber os pacientes no segundo semestre deste ano. “Esta audiência é uma oportunidade de diálogo. A demanda aumentou. Como gestores, não podemos criar serviços que não terão condições de continuar, temos que ter responsabilidade”, ressaltou Érica. 

O autor do requerimento da audiência, vereador Dr. Lair Bueno falou da urgência em avançar nas políticas públicas para as famílias atípicas.  Segundo o vereador, a lei em Timóteo que reconhece o autismo como uma deficiência e o direito às políticas públicas é de 2010, no entanto até hoje a cidade não tem um centro especializado de atendimento.  “Há um ano e meio atrás, estivemos aqui  discutindo pela primeira vez este tema. Avançamos pouco em termos de políticas públicas, as mães atípicas são as que mais  sofrem com isso. Em 2024 perdemos três mães que desistiram de lutar”, argumentou Dr. Lair. 

A diretora da Saúde de Timóteo, Nicole Coqui demonstrou a evolução da política pública de atendimento às pessoas com TEA. Ela informou que um imóvel no bairro Bromélias já foi alugado e está em reforma para abrigar o Núcleo de Atenção ao Transtorno do Espectro Autista (NATEA). A casa tem nove salas que vão oferecer atendimento multidisciplinar para crianças de dois a dez anos. A perspectiva é atender 3.376 pacientes mensalmente. “Timóteo está dando um passo importante com o NATEA funcionando já este ano. Estamos buscando cofinanciamento estadual e federal. Emendas parlamentares são muito importantes também. Esperamos reduzir o tempo de espera e fortalecer a rede de inclusão social das famílias atípicas”, informou Nicole. 


Experiências bem sucedidas

Para a audiência, Lair convidou representantes da prefeitura de Santana do Paraíso e também da Câmara Municipal do Rio de Janeiro para mostrarem experiências bem-sucedidas que estão ajudando as famílias atípicas desses municípios. O vereador do Rio de Janeiro, Paulo Messina explicou que o programa que atende pessoas com TEA na cidade, inclui educação, saúde e assistência social. Na Saúde é oferecido diagnóstico precoce e tratamento com intensidade e repetição. Na área da educação inclusiva, as crianças e adolescentes contam com professores capacitados, sala de recurso multidisciplinar e com atividades personalizadas, programa de ensino individualizado e mediador escolar, principalmente para nível 2 e 3 de autismo. 

Quanto à assistência social, há o acompanhamento para as mães, principalmente as mães solo. Paulo Messina ressaltou a importância de tratar não só o filho autista, mas a família toda. Segundo ele, cerca de 70% dos pais atípicos abandonam a criança até os cinco anos de idade. “As mães solo precisam de uma atenção especial. Poucos são os pais que ficam quando descobrem o autismo da criança, e as mães solo estão adoecendo, principalmente de angústia, pois sabem do que o filho precisa, mas não encontram o tratamento adequado e, assim, assistem o autismo evoluir. Não adianta tratar só o autista, porque a família toda adoece junto”, disse Messina. 

A gerente do Centro de Terapias de Santana do Paraíso (CETESP), Flávia Silva também mostrou a experiência de sucesso em sua cidade. Em um ano e meio de funcionamento (setembro de 2024 a março de 2026), o centro triplicou o número de pacientes atendidos. Lá são oferecidos acolhimento e direcionamento das famílias, tratamento contínuo e integral (as agendas são fixas dentro de um plano terapêutico do paciente), desenvolvimento de autonomia para a vida adulta, melhora da qualidade de vida e segurança em saúde. As equipes recebem vários treinamentos durante o ano. A taxa de abandono precoce do tratamento é zero até hoje. A aprovação do tratamento, nas pesquisas de satisfação feitas com as famílias é de 100%.

“Não é só oferecer terapias, mas fazer as famílias pertencerem ao processo, validando suas dores, necessidades e dificuldades. Oferecemos terapia integrativa familiar, oficinas para os responsáveis, sala de espera, cine família, momento de fé com missas e cultos”, contou Flávia. Ela acrescentou que este ano os pacientes vão contar com novas terapias: musicoterapia e aquaterapia.

O autor da audiência informou que está finalizando um projeto de lei, para ser apreciado na Câmara, que vai ajudar as mães atípicas empreendedoras a conseguirem trabalhar de casa e até expor nas feiras.